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Inicial → Nosso Contexto Educacional
A educação é um dos principais alicerces das sociedades desenvolvidas. Além de ser um direito constitucional, a educação se apresenta como um processo pelo qual os indivíduos conseguem ampliar seu bojo cultural, tornando-se agentes sociais mais capacitados e integrados à sociedade. Se entendermos como cultura o capital simbólico pelo qual as pessoas se relacionam com os outros, com o meio ambiente e consigo próprias, nos deparamos com um acesso que não deve ser privado de nenhum cidadão.
Estudos comprovam que os países desenvolvidos possuem melhores índices de escolaridade e que maior tempo de dedicação ao estudo equivale a um aumento e melhor distribuição da renda.
Porém, quando se observa a performance do Brasil no PISA e os dados do SAEB fica fácil perceber a atual situação da nossa educação. Nas últimas edições do PISA, o Brasil ficou atrás de países como Servia Montenegro, Macau, Indonésia, Tailândia e Uruguai.
A análise sobre os resultados do PISA aponta que as escolas cujos alunos conquistaram as melhores notas são aquelas que estimulam uma formação ativa, ou seja, a experiência internacional tem demonstrado que os sistemas de ensino nacionais que estimulam a reflexão do aluno enquanto agente social são justamente aqueles que apresentam os melhores resultados.
O PISA é um programa que visa à produção de indicadores que demonstrem a efetividade dos sistemas educacionais de vários países. São avaliados alunos que pertencem à faixa etária de 15 anos, período no qual ocorre o término da escolaridade básica na maioria dos países.
Em âmbito mundial, o programa é coordenado pela OCDE.
A OCDE é uma organização comprometida em promover a democracia e a economia de mercado. Conta com 30 países membros e vários países convidados e administra um orçamento anual superior a 300 milhões de dólares.
Dentre suas atividades, se dedica a coletar, analisar e disseminar vários dados a fim de comparar políticas públicas em vários segmentos, identificar boas práticas governamentais e coordenar esforços internacionais para atingimento de algumas de suas metas, como: aumento de emprego, melhoria da qualidade de vida, manutenção da estabilidade financeira global, assistência aos países em desenvolvimento e aumento do comércio mundial.
No Brasil, o PISA é coordenado pelo INEP. Em cada país participante existe um órgão local que operacionaliza o Programa. A cada três anos, os alunos são submetidos a cadernos de provas e questionários com ênfase em três áreas distintas: Leitura, Matemática e Ciências.
A cada edição, o foco recai sobre uma destas três áreas. O objetivo é avaliar a capacidade que os estudantes têm de analisar, raciocinar e refletir.
O Programa pretende avaliar até que ponto os concluintes da escola básica possuem conhecimentos e habilidades para uma efetiva participação na sociedade.
Fonte: www.inep.gov.br
Estas análises também comprovaram que alunos brasileiros com maior poder aquisitivo tiveram desempenho inferior àqueles com poder aquisitivo menor, porém pertencentes a países que se dedicam à educação.
Ou seja, a baixa renda não é a única variável que influencia na qualidade do processo educacional.
Quando dedicamos atenção ao resultado do SAEB, comprovamos que, em geral, nossos estudantes apresentam baixo índice de compreensão de textos e baixo índice de capacidade analítica.
O SAEB Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica foi implantado em 1990 e abrange todos os Estados da federação, incluindo o Distrito Federal. Os levantamentos de dados são realizados a cada dois anos com a participação de mais de 200 mil alunos de 3000 escolas públicas e privadas, residentes em 700 municípios. Os alunos entrevistados estão sempre finalizando o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio. Também são entrevistados 3 mil diretores.
A análise dos resultados permite acompanhar os fatores que influenciam a qualidade do Sistema Educacional com o objetivo de se elevar o nível de aprendizagem em todo o país. As informações geradas são utilizadas por gestores, administradores e pesquisadores educacionais e professores.
Fonte: www.inep.gov.br
Diante destes fatos, várias questões emergem. Mas uma das principais está relacionada ao motivo para as baixas performances dos nossos estudantes. Para encontrarmos as verdadeiras causas, devemos lançar um olhar sobre a sociedade como um todo. Sem qualquer dúvida, nossos sistemas de ensino são falhos, mas indiscutivelmente nossa sociedade não dedica à educação a importância que ela possui em outros países.
Um aspecto relevante e que merece ser citado é que a participação das famílias nos processos de ensino e aprendizagem produzem um efeito extremamente positivo sobre a performance dos estudantes, como é possível observar na maioria dos países orientais, em especial na Coréia do Sul. Outro ponto que merece destaque é que nossos jovens assistem mais a televisão do que se dedicam aos estudos.
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…muitos pais brasileiros de classe média achincalham nossa educação. Mas seu esforço e sacrifício pessoal tendem a ser ínfimos. Quantos deixam de ver TV para assegurar-se de que seus pimpolhos estão estudando? Quantos conversam freqüentemente com os filhos? As pesquisas mostram que tais gestos têm impacto enorme sobre o desempenho dos filhos. […]
Cláudio de Moura e Castro. 2
Além de uma participação ativa das famílias, precisamos reinventar nossas escolas. Migrar de um modelo de educação baseado na oralidade docente para aquele que instigue o aluno e que fomente nele uma contínua reflexão sobre o mundo em que vive e seus impactos sobre ele.
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